Jénerson

Membro da Igreja Batista nas Rendeiras
Jornalista, 
Poeta Cordelista
Professor






“O governo dá apenas migalhas ao povo”, critica filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário


Mais do que um sobrenome, a historiadora Anita Leocádia Prestes herdou o espírito revolucionário dos pais. 

É que ela é filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, expoentes na luta pelo socialismo no Brasil. 
No sábado 16, ela esteve em Caruaru, para lançar o livro ‘Luiz Carlos Prestes, o Combate por um Partido Revolucionário (1958-1990)’, impresso pela Editora Expressão Popular. 
O evento aconteceu no auditório da extensão da Universidade Federal de Pernambuco (Centro Acadêmico do Agreste – UFPE). Na ocasião, ela conversou com nossa equipe e fez uma breve (e polêmica) análise da conjuntura política do Brasil e da América Latina. 
De acordo com ela, os governos Lula e Dilma são continuidades da política de Fernando Henrique Cardoso, e apenas “dão migalhas ao povo”. Além disso, ela critica que o legado de Luiz Carlos Prestes é silenciado pela grande imprensa, que não tem interesse que a população conheça melhor sua própria história. 
A historiadora, ainda, compara a relevância de Prestes para o Brasil como a de José Marti para Cuba. Confira os principais momentos da entrevista:

Governo de esquerda

“Eu não caracterizaria o governo do Brasil atual como um governo de esquerda. Acho que nós temos pessoas de esquerda, um movimento de esquerda no Brasil. Digo isso porque, lamentavelmente, o governo Lula e agora o governo Dilma enveredaram por um caminho que é a continuidade do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. No fundamental, eu acho que está sendo praticada essa política neoliberal, que favorece os interesses do grande capital internacionalizado, que está bastante radicado no Brasil. Não por acaso, os grandes banqueiros, por exemplo, não dispensam elogios, tanto ao governo Lula quanto ao governo Dilma, dizendo que nunca ganharam tanto, nunca as suas prosperidades forram tão grandes. E, para o povo, são dadas algumas migalhas. Há não muito tempo, eu li o depoimento de uma trabalhadora sem-terra, em que ela dizia exatamente isto, que para o povo foram dadas migalhas”, compara. “Eu acho que a miséria continua, embora tenha havido algumas melhorias. Sem dúvida, houve, mas é muito pouco, se a gente vir o desenvolvimento da tecnologia, do mundo moderno, e constata, a partir dos dados do próprio IBGE, que a concentração de renda no Brasil é cada vez maior. Os ricos enriqueceram muitas vezes mais do que uma ligeira melhora que pode ter havido em uma parcela da população pobre, maioria dos trabalhadores brasileiros”.

Falta de atuação dos movimentos sociais
“A História do Brasil é feita por grandes derrotas. Tirando a Coluna Prestes – que não foi vitoriosa, mas também não foi derrotada – os movimentos de luta no Brasil sempre foram derrotados. Isso é um peso muito grande em nossa história, que dificulta muito a mobilização. Foram mais de 20 anos de Ditadura Militar, em que os movimentos foram silenciados. Cresceram duas gerações que não têm muito conhecimento da nossa história. Por isso há essa passividade”, opina.

Venezuela sem Hugo Cháves

“Pelo que eu tenho observado, acho que vai se consolidar o processo revolucionário na Venezuela. Conheço pessoas que estiveram quando se deu o lamentável falecimento do comandante Cháves e participaram das manifestações, elas ficaram impressionadas com o nível de convicção do povo venezuelano. O povo, por um lado, chora a morte de Cháves, mas por outro quer dar continuidade a esse projeto. Então, acredito que a vitória de Nicolau Maduro em abril seja indiscutível e venha a consolidar esse processo”.

Legado de Luiz Carlos Prestes para o Brasil

“A figura de Luiz Carlos Prestes é permanentemente silenciada e caluniada pela grande mídia, que está a serviço dos interesses dominantes. Se a gente observar as publicações existentes – e esse meu próprio livro – veremos como são sabotados, silenciados. Não sai uma linha na grande imprensa sobre esse meu livro, enquanto se divulga tanto outros trabalhos. Esse trabalho é silenciado, justamente, porque as posições de Luiz Carlos Prestes, o seu combate por uma política revolucionária no Brasil, são temas que não interessam à classe dominante”, critica. “Da mesma maneira que Fidel Castro, em Cuba, bem como os outros revolucionários cubanos, trataram e tratam de resgatar o legado de José Marti, o grande pensador revolucionário cubado, eu acho que os revolucionários brasileiros, que querem realmente um futuro de justiça social e socialismo para o nosso povo, têm de rever o legado de Luiz Carlos Prestes para o nosso povo”, conclui.

Outras informações sobre a vida de Prestes, além de textos acerca do momento histórico do Brasil no tempo presente, podem ser encontradas no site do Instituto Luiz Carlos Prestes(www.ilcp.org.br).

Em uma certa noite de domingo...


Foi na noite do último domingo. 

Após tocar no louvor da igreja, o rapaz saiu acompanhado dos amigos. 
Ainda deu tempo de a galera ir ao shopping. Olhar as vitrines, comentar sobre as marcas, conversar sobre a igreja, a faculdade, os sonhos... paquerar as garotas que desfilavam como verdadeiras modelos nos corredores do centro de compras. 

Tudo certo, tudo normal, até que uma cena deixou o rapazinho perplexo.

Ao lado do shopping, uma família se abrigava na calçada. 
O relento era o lar de uma senhora e de três crianças – que, a mais velha, se muito tivesse, era 7 anos. 
Isso tudo não parecia estar certo. Principalmente para o moço, acostumado a tocar músicas que falavam de ‘chuvas de bênçãos’, de ‘vitórias’ e de sorrisos. Como poderia alguém passar a noite naquele frio, naquele chão, sem cobertor, sem comida, sem nada?

E o pior: quando ele comentou com os amigos sobre aquele cenário esquisito, a resposta foi, entre risos: “liga não; olha para isso, não. Deixa disso! Vamos embora”. 
É muito mais fácil fingir que uma realidade não existe do que simplesmente encará-la e arcar com certas responsabilidades. 
É muito mais fácil fingir que não há uma família carente de afeto e de recursos e direcionar o olhar para o brilho das luzes do shopping, para o colorido da avenida, para o balançar dos cabelos das senhoritas que irradiam beleza e sensualidade pela rua. Não é bom olhar para o feio, para o que nos constrange.

Mas o rapazinho não parou de pensar naquela família. Ele começou a imaginar qual seria a reação do Nazareno diante daquele cenário deplorável. Quantas vezes, nos Evangelhos, não há a expressão que Jesus “moveu-se de íntima compaixão”? 
O rapazinho começou a desconfiar que isso seria sentir-se como o outro. Ele se lembrou da própria infância. 
De como era bom ter uma caminha forrada, o leitinho quente na hora, a ducha, o abraço, o carinho... E como seria triste para aquelas crianças não ter nada disso... e como seria triste para aquela senhora não ter nada a oferecer para as crianças, a não ser o sofrimento...

O rapazinho, quando chegou em casa, não conseguiu dormir. 
O colchão estava macio demais, enquanto a calçada das crianças ao lado do shopping estava muito dura... o cobertor estava muito aconchegante, enquanto a rua lá fora estava muito perigosa...

Então, silenciosamente, ele abriu o guarda-roupa e buscou lençóis, roupas e até mesmo travesseiros (ele possuía tantos...). Na cozinha, havia ainda restos do jantar. Mas ainda havia alguns pães. E um pedaço de queijo. Pegou tudo. Rapidinho, voltou ao shopping. 
Deu tudinho àquela família. Assustada, a mulher observou-o de longe. Talvez estivesse tão acostumada a só levar rebordosas da vida que não cresse em benefícios. 
O olhar do garoto mais novo, porém, brilhava – mais do que a luz da avenida. E o garotinho apenas olhou para o rapazinho da igreja e disse: “obrigado, moço”.

E o rapazinho voltou para casa, com uma emoção tão grande que não cabia no coração (escorria pelos olhos...). 

E a vida começou a fazer sentido...


Entrevista - Pastor Celio, eleito presidente da Associação Agrestina das Igrejas Batista de Pernambuco.


Nesta Semana o COISAS DA VIDA traz entrevista com o pastor Célio Correia é o novo presidente da Associação Agrestina das Igrejas Batista de Pernambuco. A decisão ocorreu na tarde do último sábado (23), durante a reunião da Associação, que ocorreu na Primeira Igreja Batista de Caruaru e contou com representantes de diversas igrejas e congregações, espalhadas por toda a microrregião agreste de Pernambuco. O líder religioso afirma que o principal objetivo da Associação será aprimorar e desenvolver a proclamação do Evangelho nessa região, no intuito de cumprir o “Ide” de Jesus, o qual é o principal objetivo da Igreja. Presentiafez a cobertura de todo o processo de votação e entrevistou o pastor Célio Correia com exclusividade. Confira:

Como o senhor avalia o processo de votação?
Historicamente, nós, batistas, somos democráticos em nosso processo de votação. Levamos, realmente, o sentido da democracia a pleno. E esse sentimento foi concretizado na tarde deste sábado, na Primeira Igreja Batista de Caruaru. Dessa forma, nós trabalhamos democraticamente, ouvindo a voz do povo batista.

Quais são suas principais propostas para esses próximos dois anos de mandato?
Basicamente, buscar cada vez mais a unificação das igrejas batistas. Essa é uma necessidade, além de proclamar o Evangelho nos municípios que a nossa associação abrange. Há uma necessidade muito grande do crescimento batista nos municípios. Queremos trabalhar em conjunto com os pastores que atuam nesses municípios.

Entretanto, percebe-se, na nossa região, um déficit considerável na quantidade de pastores. A Associação poderá interferir, ou auxiliar, de alguma forma, nesse sentido?
Veja só. Basicamente, nós estamos com cinco igrejas e duas congregações, da nossa Associação, sem pastores. Então, o nosso trabalho, será, realmente, procurar trazer pastores, ou mesmo seminaristas, para atuar nessa região do nosso estado. Isso vai ser resolvido em parceria com a nossa Convenção, e com a Cevam, que é a Junta de Missões do nosso estado. A ideia é, em conjunto, trazer pastores e seminaristas para atuarem no Agreste.

Quais são os entraves que provocam esse déficit pastoral? O Seminário Teológico Batista do Norte (STBN) não tem formado pastores?
Todos os anos, realmente, são formados vários bacharéis em Teologia. O ponto é a disposição das pessoas. Ninguém pode ser obrigado a trabalhar em determinado lugar. As dificuldades, tanto do Sertão como do Agreste, não são poucas. Isso faz com que as pessoas prefiram a Capital. Isso é notório de se observar, mas é algo a ser trabalhado, inclusive no que diz respeito à convocação e à vocação, realmente, de quem vai ao Seminário, se foi chamado realmente pelo Senhor Jesus Cristo para o ministério, para a Sua santa obra.

Atualmente, a imagem dos evangélicos na sociedade está maculada por causa da má atuação de certos personagens. O senhor acha que os setores tradicionais devem adotar medidas no intuito de limpar essa chamuscada imagem dos religiosos em frente à sociedade?
Uma das coisas que podemos observar é que a denominação batista, da Convenção Batista Brasileira, ainda é muito respeitada na sociedade. Nós temos um papel muito importante, que é pregar o Evangelho de Cristo, que nos foi deixado na Bíblia Sagrada. O nosso princípio é este. E isto faz com que as outras pessoas respeitem o Evangelho. Isso eu digo não por ser pastor batista, mas a história exibe nossa importância e seriedade no trabalho religioso, na ação social, e na vocação ministerial. Nós temos um seminário próprio, nós temos formação para líderes, temos congregações e igrejas espalhadas pelos municípios, onde pastores e irmãos se empenham em proclamar o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Há seriedade no trabalho, sim. Nosso principal trabalho é pregar o Evangelho, que a única esperança para o ser humano é Jesus Cristo. Foi essa a ordem que Ele mesmo nos deixou.

Jénerson Alves - O São João Gospel e o Show de Irrelevância


Em um site de notícias gospel, lê-se, em tom de celebração, a aprovação do requerimento 114/2013, na Câmara de Caruaru, na sessão do dia 7 de fevereiro. O documento, de autoria do vereador Sivaldo Oliveira (PP), trata sobre a criação do Polo Gospel durante os festejos juninos da Capital do Agreste.

De acordo com a home page, “O Polo Gospel sera mais um Atrativo durante o Festejos Juninos em Caruaru sendo que voltado para o Publico Religioso, Durante o Mês de Junho Caruaru sempre foi carente de Eventos voltados Principalmente para o Publico Evangélico e agora com essa Vitoria na Câmera Municipal o Polo Gospel vem para suprir um Necessidade do Publico Evangélico durante o período junino”.

Antes de tudo, quero deixar claro que nada tenho contra o referido edil, tampouco desejo incitar ódio nos meus amados irmãos do segmento evangélico. Entretanto, quero fazer observações sobre o tema.

Inicialmente, é bom frisar que o fato de um requerimento ter sido aprovado na Câmara não significa que ele será, fatalmente, colocado em prática. O que a Casa aprovou foi que a solicitação chegue ao Poder Executivo, o qual analisará a viabilidade de implementação do mesmo. Portanto, tal tópico deverá render ainda maior debate.

Também quero afirmar que não é papel de vereador ficar organizando evento. Segundo trecho de definição do papel do vereador no site Brasil Escola, “eles devem trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população, elaborando leis, recebendo o povo, atendendo às reivindicações, desempenhando a função de mediador entre os habitantes e o prefeito”.
Acredito que é necessário elaborar normas que viabilizem a implementação de políticas públicas transformadoras. Os políticos – principalmente os vereadores – não são eleitos para representar determinada classe social (seja determinada crença, bairro, profissão, orientação sexual), mas sim para garantir o bem estar da coletividade. 

No entanto, para alcançar esse entendimento é necessária uma profunda mudança da consciência. Enquanto isso, vão chover nas sessões ‘ordinárias’ da Câmara enxurradas de requerimentos irrelevantes. E não são apenas como esse do vereador supracitado, tampouco o grotesco pedido de criação do Parque Municipal Gospel (conforme solicitado pelo edil Demóstenes Veras, na última legislatura). Isso vale também para os incontáveis requerimentos de calçamentos de ruas, mudanças de nomes de vias, ou coisas desse tipo. Nesses últimos casos, porque tais solicitações não são acompanhadas de um olhar mais abrangente para a infraestrutura da cidade, mas servem apenas como uma forma de fazer uma média com tais comunidades. Vou tentar ser mais claro. Ao invés de ficar fazendo requerimento para calçar rua A ou B, deveria-se estudar mecanismos de urbanização da cidade como um todo, de maneira planejada e estratégica. 

Semelhantemente, ao invés de propor um polo gospel no São João, poderia se propor uma mudança na perspectiva da festa. Em vez de os festejos juninos caruaruenses se limitarem a parte musical em si, poderia-se sugerir que oficinas, seminários, e outros instrumentos de formação cultural aconteçam paralelamente à festa, sobretudo no período diurno. Ora, é tão perceptível no mês de junho avistar, por exemplo, estudantes cabulando aulas para participarem das comemorações no Pátio de Eventos (até porque, às vezes, principalmente nas escolas mais próximas àquele lugar, torna-se uma odisseia conseguir dar aula). Em vez disso, porque não criar possibilidades de que a juventude tenha um acesso mais aprofundado à cultura popular? Isso estaria, evidentemente, atrelado a um projeto de fomento à cultura, que permeasse também outras áreas e outros períodos, no intuito de promover uma nova postura da sociedade diante da vida, enfocando a identidade cultural – o que resulta em uma consciência cidadã.
E eu acredito que esse tipo de cosmovisão deva partir dos políticos com formação cristã, principalmente evangelical. Além disso, outras pautas, como a questão da exploração infantil e sexual, os problemas ambientais, a opressão contra as classes menos favorecidas, devem ser o alvo dos que estão representando o povo, principalmente aqueles que têm como objetivo de vida manifestar o Reino de D-us entre os homens.
Os olhos do cristão vocacionado para a política devem estar voltados para o contexto geral e não para satisfazer micro-interesses da igreja. Vale lembrar que o Memorial Evangélico de 1932 propõe, entre outros itens, “completa laicidade do Estado e [...] do ensino oficial”; “justiça popular, rápida e gratuita”; “absoluta liberdade de pensamento e da manifestação do pensamento”. 

Desta feita, ressalto a observação do sociólogo Paul Freston, quando afirma que “como cristãos, somos chamados a ver a realidade brasileira, à medida do possível, na perspectiva de Deus, a pensar ‘o que precisa se mudado para que o Brasil se pareça mais com o plano de Deus para toda a humanidade’”. Uma nova cultura deve ser implementada. Ela começa aqui e agora e termina na cidade que desce do Céu, onde “não haverá luto, nem pranto, nem dor”.


Página em branco; páginas rasgadas


Eu sei que é clichê comparar o ano que se inicia com uma página em branco. Mas, e daí? A vida é cheia de clichês, mesmo. O bom de um ano que nasce é porque renasce a sensação de que tudo se renova. Afinal, é o início um ciclo. 

É momento para avaliar não somente o ano que passou, mas também a forma como a vida vem sendo conduzida. É a oportunidade de reprogramar sonhos antigos, de reacender esperanças.



Mas não apenas isso. Também é momento de deixar para trás aquilo que já não faz mais sentido. É momento de deixar de lutar com uma finalidade inócua. É o instante em que pode-se decidir se, realmente, vale a pena sofrer tanto. É a hora de adotar novas posturas com relação à vida.

É momento de guardar o coração, de não deixá-lo nas mãos de pessoas que não irão valorizá-lo. Além disso, é importante fazer uma faxina nele, e tirar de dentro aquilo que não nos faz crescer. Mais do que encarar o devir como uma página em branco, deve-se rasgar aquelas que registram histórias que não precisam ser lembradas.

É necessário aprender a esquecer. Sim, esquecer. Esquecer daquilo que nos fez mal, daquilo que nos colocou sob uma circunstância negativa. É necessário olvidar do que deu errado, do que foi errado. 

Os momentos de crise, de choro, de lágrimas, de lutas inglórias, devem ser deletados do disco rígido do coração. Se essas coisas permanecerem, o coração ficará pesado, o espírito ficará sem condições de prosseguir.

Não é necessário estar todo instante olhando pelo retrovisor. O importante é pôr as mãos na direção e olhar em frente. Afinal, há buracos na estrada, além de curvas perigosas, automóveis na contramão e pedestres que passam na frente do veículo. É hora de olhar em frente. Fixar os olhos no que está por vir. Não nos esqueçamos: a vida é repleta de surpresas (e por isso é tão deliciosa).

Contudo, se há um conselho que devemos seguir enquanto trilhamos nessa estrada sinuosa que chamamos de existência, acredito que seja Filipenses 2:5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo”. Ora, ter o mesmo sentimento é estar na mesma vibração, é conhecer a fundo o coração dEle. É relacionar-se com Ele de tal forma que o coração do Mestre e o do servo ficam em consonância um com o outro. É conectar-se com a Essência Superior. 

E, dessa forma, aprender a enxergar o próximo como irmão.

A melhor maneira de desenvolver o mesmo sentimento que há em Cristo é ler os Evangelhos. Acho necessário fixarmos o propósito de ler o Novo Testamento, de refletirmos nas Escrituras, de pautarmos nosso cotidiano de acordo com os princípios estabelecidos nas Sagradas Letras. 

Aí, tenho certeza, uma bela história será escrita nessa página em branco.

Entrevista com Diogo Militão



Missionário Diogo Militão conta ao jornalista Jénerson Alves as dificuldades e alegrias vivenciadas por aqueles que se dispõem integralmente a proclamar o Evangelho de Cristo.


Salvação

Diz a Bíblia, a Palavra do Senhor:
todos os homens na Terra têm pecados
e, por isso, ficamos afastados
da presença ufanal do Criador.

Do pecado, o salário é o horror
que nos mata e nos deixa apavorados,
porém Deus, com gratuitos dons sagrados
dá-nos vida por Cristo Redentor.

Prova Deus Seu amor para conosco
dando o Filho a um mundo vil e tosco
para o homem sem luz tornar-se alvo.

Sob a sombra sublime de uma cruz
quem beijar os pés santos de Jesus
e invocar o Seu nome, será salvo
.

Entrevista com "Curumim"

Missionário 'Curumim' fala sobre a questão do choque cultural na vida missionária, em entrevista concedida ao jornalista Jénerson Alves durante o 36º Congresso da Juventude Batista do Agreste de Pernambuco, ocorrido em abril de 2012, na cidade de Caruaru.



Atitude


Voei célere aos páramos da pureza

Fiquei ébrio de graça e de virtude,

Pra falar sobre o tema ‘Atitude’

Vi a lâmpada da fé ficar acesa.

Pois um age com amor e com destreza,
Outro age com ódio e sem pensar,
Um que vive em boteco e lupanar,
Entre néscios, nefastos e ateus,
Outro busca escutar a voz de D-us
Lhe dizendo onde deve caminhar.



Há quem pense somente em enricar,

E um baú com tesouros escondido,

Entretanto no mundo é afligido

E vê o ímpio cruel a prosperar...

Desta feita, começa a questionar
As virtudes do trono divinal,
Mas quem busca só bem material,
Tem um fim consumido por terrores,
Só vislumbra os espinhos, não as flores,
Passa a agir igualmente a um animal.



O cristão tem de ter outro ideal

E seguir o exemplo de Jesus,

Que humilhou-Se e morreu em uma cruz

Quando esteve no clima terreal.

Hoje está no Palácio Divinal
E o Seu nome é maior entre os demais
Pôs um fim às ações do Satanás
Trouxe luz para um mundo sem tem cor,
Toda língua dirá que Ele é Senhor
Para a glória de D-us, o Pai dos pais.



Atitudes bonitas dos pardais,

Passarinhos de vida sã, dinâmica,

Formam pares de ordem monogâmica,

Se alimentam de grãos e cereais,

Sabem todas as notas musicais,
Quando cantam, só cantam muito bem,
Pelos ocos das árvores se mantêm,
Porém temem corujas e falcões,
Mesmo assim seguem em todas direções,
Não desejam maldade pra ninguém.



Cururu é um sapo que contém

A feiura maior da natureza,

Não possui nem um pingo de beleza
Mas não ‘chia’, nem fala que é refém.
Um esmalte não passa, unha não tem,
Sua esposa não tem sequer batom,
Boticário, Natura, nem Avon,
Vive em lagos, são úmidos, mas é brando
E na hora que fica coaxando,
É dizendo pr’o mundo: “D-us é Bom!’


Urubu nunca vai ao Papillon,

Vê carniça, mas come igual banquete,

Lagartixa visita um palacete,

E vai ao lar do campônio achando bom.

A cigarra a cantar, procura o tom,
A formiga trabalha com pureza,
A aranha faz teia, caça a presa,
A burguesa a cantar, fica feliz,
Quem vê isso, analisa, pensa e diz:
‘Quanto é grande o Autor da Natureza!’



Admiro é a força da tigresa,

Mesmo forte, não mata por vingança...

A barata faz medo, mas é mansa,

A galinha detesta safadeza...

Toda garça parece uma princesa,
Quando voa não usa poluente,
Vaga-lume tem luz sem ter corrente,
O jumento trabalha e tem voz boa,
Não tem obra de D-us vivendo à toa,
Se Ele ama os bichinhos, quanto mais gente?



Eu desejo demais ser bem mais crente,

Ler a Bíblia, honrá-Lo, me humilhar,

Ser sincero e orar, me derramar,

Não ser morno, mas ser um crente quente...

Declarar que Ele é Onipotente
Ser escravo das grades do Amor,
Amar todo meu próximo, honrar a flor,
E no mar do sorriso submerso
Demonstrar para todo o Universo
Atitudes de servo do Senhor.

Poema recitado na Reunião de Jovens da Igreja Apostólica Shekná, em Caruaru-PE (24-03-2012) 


Será??

Se eu disser que é em você
que eu penso todo dia...
Você vai dizer o quê?
Sentir tédio ou alegria?
Será que você não sabe
que eu tenho um coração?
E nele, só você cabe,
não cabe mais outra, não...

Vem para perto de mim,
Senta, vamos conversar,
Eu tenho histórias sem fim
Que desejo lhe contar...

Embora seja comum,
não deixe para depois...
Se é para a gente ser um,
Por que é que somos dois?


Palavras soltas....


Queria dar-te os sorrisos que ainda não floresceram em minha face.
Queria dar-te os meus ouvidos, capazes de escutar as batidas do teu coração.
Queria dar-te meu olhar (único no mundo que consegue enxergar a tua alma).
Queria dar-te os beijos que, em si, trazem resquícios do meu espírito.
Queria dar-te a maior porção da minha felicidade para ti, que és a felicidade que habita em mim. 
...
Sim, meu Pai,
Eu choro...
Não tenho uma fé inabalável.
Não tenho todas as respostas.
Não tenho todas as certezas.

Sim, meu Pai,
Eu tenho um coração impuro,
Mas sincero...
Sim, meu Pai...
Meu coração
É Teu.


MEU SONHO


Eu sonho que o mundo se torne um imenso jardim,
Que o aroma das flores do amor se espalhe no ar.
Que a orquestra de pássaros entoe um hino sem fim
E a vida se torne um poema pra quem sabe amar.


Eu sonho enxergar arco-íris nos meus horizontes,
E o céu outrora cinzenta cinzento se converta em cores,
Que barrem barreiras e aprontem milhares de pontes,
E os homens projetem projéteis que disparem flores.


Eu sonho que todo esse sonho se torne real,
Ouvindo a canção dos anjos, o Rei me chamar,
Romper os limites do Cosmo com o Pai Divinal
Até um Palácio nas nuvens que eu chame de Lar.




Amor banal x Amor real


Acabo de dar uma rápida olhada nas mensagens que me chegam via Orkut, Facebook, E-mail, Twitter e celular. Percebo quão banalizadas estão duas palavras que considero da mais alta importância: Amo Você. 
Reflito diante de frases copiadas não sei de onde e enviadas para “todos os amigos” das redes sociais. Vejo que recebo palavras de carinho on-line oriundas de pessoas que não costumam, sequer, responder a cumprimentos meus no cotidiano. Imagino que esse tipo de gente, que não consegue amar na vida real, deve fazer do mundo virtual uma espécie de válvula de escape, no qual o computador serve de ‘analgésico’ diante da dor provocada pelo vazio existencial que lhes crucia.
Na internet, não há contato. 
Não há estresse, não há ‘cara feia’, não há canseira, não há vida. 
Há apenas ‘emoctions’ e desenhos bem fofinhos, que tornam a página da web “linda” – mesmo que a página da existência seja marcada por conflitos e inseguranças. Fica fácil amar pelo teclado, mas as quatro letras que formam a palavra ‘Amor’ não são um mero amontoado de signos. Sei que tornou-se difícil falar sobre Amor depois que o apóstolo Paulo escreveu o texto de I Coríntios 13. No entanto, lembro-me que, no texto em grego, o vernáculo utilizado por Paulo foi ‘Ágape (agapein)’. Essa palavra é revestida de um significado incrível, que deixou os gregos – acostumados ao tecnicismo e à racionalidade – completamente atônitos diante do caráter de incondicionalidade e sublimidade impressos pelo amor cristão. 
Mais do que isso. Esse amor não se constituía em apenas um discurso eloquente, mas sim em um estilo de vida. Caso contrário, seria tão-somente “como o bronze que soa ou o címbalo que retine”.
Acredito que o significado desse amor precisa ser mais uma vez colocado em evidência nos dias atuais. As palavrinhas bonitinhas copiadas nos perfis das redes sociais não humanizam a internet, tampouco expressam a seiva nutritiva que dá razão à existência. Nesse sentido, os perfis das redes sociais são uma espécie de “Self Idealizado”, construído por intermédio de ilusões criadas a partir de espelhos distorcidos. 
Preocupa-me ver uma juventude que diz amar pelo MSN, mas é incapaz de discernir as implicações do amor. Esses jovens que são doutrinados pelas músicas de forró estilizado e têm as novelas globais como gurus espirituais não conseguem vislumbrar o horizonte do Ágape.
Acredito que só é possível aprender a amar com Aquele Que É Amor. E o amor ensinado por Jesus não é sinônimo de facilidade, tampouco de felicidade (sobretudo esse conceito materialista de que a felicidade é a plena conquista de posses). O que Ele ensinou foi doação (ou melhor, dor-ação). Com mais firmeza do que Nietzsche, Jesus ensina que não se pode fugir da dor. Porque, apenas quando se encara a dor existe coragem para ‘peitar’ a vida frente a frente. 
E é isso o que o Meigo Nazareno que conduziu a cruz nos ensina. Diferentemente de Sidarta Gautama, que apregoava a necessidade de diminuição da pessoalidade, Jesus manda negar o “Si-Mesmo” (“Self Idealizado”). Nele conseguimos enxergar o nosso “eu”, pois apenas Ele É.

O verdadeiro amor faz morrer o egoísmo, o medo, as incertezas e a desconfiança. Ele não quer saber de redomas nem de garantias. Não é piscina, mas é oceano, onde o desejo é se jogar e nadar – às vezes, deixar-se boiar pelo caminho das ondas. Amor é a morte do “Si-Mesmo” para vivenciar o “Eu” que se transforma em “Nós”, entranhados pelo Espírito.



Isaías do Acordeon


Na noite de dezesseis,

Novembro, Dois mil e doze,

A câmera do Céu fez close

Em Isaías na vez,
Pra mansão do Rei dos Reis
Seu espírito foi subindo,
E D-us do Céu lhe pedindo
Pra ele subir tocando,
A sanfona está chorando,
Mas o Céu está sorrindo.

Soube lidar com seu dom
Com zelo e com mordomias,
Não foi qualquer Isaías,
Foi o do Acordeon.
Dizia que D-us é bom
Com seu instrumento lindo,
Pois era a mão indo e vindo
E a garganta cantando,
A sanfona está chorando,
Mas o Céu está sorrindo.

Ao ler a Bíblia Sagrada
Isaías teve foco
Dizia ao mundo: “eu não troco
Meu Senhor Jesus por nada”,
Trilhava na Santa Estrada
Ao Senhor Jesus seguindo,
Quando o dinheiro era findo
Tinha alegria sobrando,
A sanfona está chorando,
Mas o Céu está sorrindo.

No Céu há festa pra D-us,
Na terra há pranto e há dor,
Preciosa é ao Senhor
A morte dos santos Seus.
Pelos pensamentos meus
É mesmo que estar ouvindo
A sanfona sustenindo
E o fole balançando
A sanfona está chorando,
Mas o Céu está sorrindo.

Está na Mansão Eterna,
Palácio de cor dourada,
Sem sentir mais dor de nada
Pois só o Amor governa.
Se lhe faltava uma perna
Nessa terra se bulindo,
Sem ter bengala vai indo
Pr’o palco do Céu pulando,
A sanfona está chorando,
Mas o Céu está sorrindo.


Entrevista com Paul Freston

Entrevista publicada na edição 313 do Jornal Extra de Pernambuco.
ESTRUTURA POLÍTICA
Paul Freston é professor na Wilfrild Laurier University, em Ontário, Canadá. O catedrático e escritor revela a lógica injusta pertencente ao sistema brasileiro, promovendo uma reflexão sobre as falhas da democracia e propõe os passos para a transformação



JORNAL EXTRA – Costumeiramente, o ambiente político é marcado por denúncias e casos de corrupção, envolvendo integrantes das mais variadas legendas. Esses casos levantam questionamentos sobre devassidão impregnada na política brasileira. Esse é um problema sistêmico?
PAUL FRESTON – Corrupção é sempre uma mistura de fatores.  É uma mistura de fatores de sistema e de pessoas também. Questões culturais e fatores individuais. De um lado, podemos dizer que corrupção é universal. Não existe sistema político no mundo que não tenha algum grau de corrupção. Por outro lado, há, evidentemente, diferenças de nível. Podemos dizer que existem alguns sistemas de outros países que são mais amenos com a corrupção do que outros. Há países que modificam algo para combater a corrupção e outros que ela piora sensivelmente. Pelo que eu sei, me parece que há uma conjunção desses fatores e por isso não se pode combater a corrupção apenas em um nível sistêmico nem apenas em um nível individual.
JORNAL EXTRA – Qual seria a melhor forma de combater a corrupção?
PAUL FRESTON – Combater por completo é quase impossível. Vencer corrupção, não se vence. Apenas se diminui, se enfraquece. No nível sistêmico, um fator muito importante é a probabilidade de ser punido. Isso tem um efeito grande. Têm sido feito estudos nessa área, sobre a questão da impunidade. Isso entra até mesmo no nível cultural. Tem muitos fatores, como a formação do povo, que também influi nesse entendimento. É preciso rigor para se aplicar regras. Quem se envolve com corrupção deve ser punido.
Portanto, deve ser feita uma abordagem sistemática. Quando o sistema é percebido como fundamentalmente justo, quem o burla se torna mal visto. Mas se o sistema é visto como fundamentalmente injusto, burlá-lo vira virtude, é uma coisa tolerada.
JORNAL EXTRA – Em um sistema injusto, como um político pode conseguir levantar a bandeira da ética?
PAUL FRESTON  A bandeira da ética precisa claramente ter um alvo duplo. Tem de ter um alvo de formação ética individual, esse é um nível, mas não vai bastar. Também precisa ser levantada de forma estrutural. As duas coisas têm de ser vistas em conjunto.
JORNAL EXTRA – O senhor é inglês naturalizado brasileiro. Quando comparado o sistema político brasileiro com o parlamentarismo monárquico da Inglaterra, em qual o senhor percebe o solo mais fértil para a corrupção? Por quê?
PAUL FRESTON – A gente tem a mania de achar que certas coisas são únicas. O brasileiro gosta de pensar que‘saudade’ e ‘jeitinho’ só existem no Brasil (risos). Isso é bobagem, obviamente. Então, é claro que neste país há uma certa acentuação, porém duvidar que em outros países exista o ‘jeitinho’ é ingenuidade. Agora, o que pode mudar de um país para outro – ou mudar dentro do mesmo país de um momento para outro – é o grau de tolerância com relação à corrupção. O mesmo ato pode acontecer em diversos países, mas ser visto de forma diferente. Em alguns lugares, há uma alta tolerância, até louvável, ao extremo. Ou, pelo menos uma certa compreensão devido à natureza injusta do sistema.  Já em outros, o ato da corrupção se torna altamente injustificável, com pouca tolerância – embora exista a corrupção. Posso colocar o Brasil como um país de tolerância alta, onde esse tipo de coisa é visto como bastante justificável, diante de um sistema que é injusto –ou, pelo menos, imediatista. Há também sistemas que são complicados demais, que dificultam demais a vida. Por isso, se tolera o ‘jeitinho’ para navegar a distância entre as leis e a realidade, pois a vida tem de ser vivível, tem de fluir. Há uma certa distância entre as leis e a realidade. A aceitação do jeitinho como algo tolerante continua muito forte.
Eu tenho a impressão que isso não mudou muito ainda. Quer dizer, reconheço que, nos últimos 20 anos, muitas coisas mudaram no Brasil, principalmente nos últimos dez anos, muitas coisas mudaram – inclusive, para melhor, eu acho. A gente percebe quando vai ao exterior que a imagem que lá se tem do Brasil, hoje, é muito melhor do que era antigamente. Muito melhor. O Brasil é comentado, aumentou a visibilidade de forma positiva, no geral. A visibilidade internacional brasileira positiva é um lado da realidade que deve ser levado em conta. Por outro lado, há a realidade cotidiana que ainda se deixa a desejar. Eu acho que a aceitação do‘jeitinho’ como algo que tem de existir, se não a vida fica impossível não mudou muito, isso ainda continua. O mero desenvolvimento econômico e projeção geopolítica não muda tudo, completamente. Essas são coisas insuficientes para mudar esse cenário. É bem verdade que, em certos aspectos, o desenvolvimento econômico favorece o enfraquecimento da corrupção. Por outro lado, não há uma co-relação exata entre grau de desenvolvimento e corrupção, sempre há outros elementos, como o sistema político e cultural.
JORNAL EXTRA – No seu livro Religião e política, sim; Igreja e Estado, não (Editora Ultimato), o senhor afirma que a visão cristã do Estado é que o Estado não deve ser cristão’”. O que isso significa?
PAUL FRESTON – Não estamos numa situação do Velho Testamento, como não estamos numa teocracia ainda. O cristianismo nasceu com outra visão com relação a fé e o Estado. A fé e o território. Fé e bens. Ou seja, toda relação de poder vem com território, mas no cristianismo é diferente. O problema é que se esquece disso, ao longo da história do Cristianismo. Por boa parte da história, o Cristianismo voltou a ter essa relação com poder e território. Um conceito totalmente confessional. A visão cristã do Estado é que o Estado não se posiciona nesse sentido, defendendo uma determinada confissão. Existem pessoas que se assustam com isso. Acham um absurdo, mas se pensar direitinho vai perceber que não. Quem sofre mais quando o estado se outorga uma identidade cristã? São os dissidentes da própria religião professada pelo Estado. Os cristãos que não concordam com o tipo de Cristianismo professado pelo estado são as primeiras vítimas daquele estado. Os evangélicos, por exemplo, chegaram ao Brasil com uma crítica a relação que o Catolicismo tinha com o Estado, primeiro no Império. Depois, mesmo na República, sem ainda uma religião oficial, mas digamos que oficiosa, continuavam reclamando disso, pois percebíamos contradições com a nossa própria história. Os evangélicos devem ser os maiores defensores que o Estado não-confecional. Assim sendo, o Estado tem de ser para evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas e por aí vai... O Estado precisa conceder os mesmos direitos às religiões. O Estado não deve ser cristão, a Igreja tem de ser cristã.
JORNAL EXTRA – O senhor acredita que a participação da sociedade civil nas decisões políticas pode melhorar a conjuntura política? Porém, como estimular essa participação? Métodos como plebiscitos, Audiências Públicas e Orçamentos Participativos são ferramentas viáveis para o engajamento social?
PAUL FRESTON – Na teoria isso seria bom. Mas, inevitavelmente, em um país complexo de 190 milhões de pessoas não dá para se ter uma democracia verdadeiramente participativa. Isso é ilusão. O máximo que se pode ter é uma democracia representativa. Essa democracia representativa pode ter mais a capacidade de captar e traduzir os anseios populares, através de uma série de mecanismos. As tentativas de Orçamentos Participativos refletem isso. Mas, de certa forma, é uma linha errada.
A Suíça é um país que procura muito ter uma democracia participativa. É muito fácil pedir um plebiscito sobre uma série de coisas. No fim do ano passado, houve um plebiscito muito substantivo na Suíça, sobre a construção de minaretes, aquelas torres que ficam em cima das mesquitas. É muito fácil, basta apenas juntar um número máximo de assinaturas que se consegue um plebiscito federal sobre equívocos, e o povo vai às urnas votar apenas aquela questão. Volta e meia na Suíça, o povo está votando em alguma coisa. Isso tem grandes méritos, mas por outro lado tem equívocos também. Por exemplo, inesperadamente a votação deu a favor de uma proibição, que pode ser notada como um atentado à liberdade religiosa. Mas é a vontade da maioria da população. Muito embora a maioria dos partidos políticos, principalmente os do governo, e até o Conselho dos bispos católicos e das igrejas protestantes também eram contra a proibição. Muitos órgãos da mídia também eram contra. No entanto, a proposta venceu. E agora vamos ver as consequências que isso vai ter. Nem sempre ouvir o povo nos levar a realizar as coisas no sentido que a gente espera. A democracia entendida apenas como vontade da maioria, às vezes desemboca em resultados que atentam à liberdade democrática. Sou a favor da democracia participativa, mas temos que entender que nem sempre essa nos traz os resultados que esperamos.


O suspiro de um guerreiro


Com o gélido ar da tarde de 19 de agosto de 2012, o último suspiro de Alexandre Ferraz ficou suspenso no infinito. O diretor-presidente do Jornal Extra de Pernambuco trans vivenciou após três anos de batalhas contra o câncer. Em todas essas pelejas, sua marca indelével e visível sempre foi um sorriso no rosto e a esperança de que o Autor da História está presente em todas as circunstâncias.

Apesar de carioca, seu coração era nordestino. Isso porque – com a licença para parafrasear Euclides da Cunha – Alexandre Ferraz era, antes de tudo, um forte. E o seu vigor de espírito transmitia serenidade, seriedade, transparência e bom senso aos que tinham a oportunidade de compartilhar alguns instantes com ele.

Formado em Economia, nunca economizou vibrações positivas na sua formação humana. Com o espírito alimentado pela Seiva Nutritiva da existência, exalava o aroma da Caridade e do Amor Fraterno. Sua ligação com o Jornalismo não era baseado em intenções discrepantes, mas tinha como base a premissa de que todos os seres humanos têm a missão de contribuir para melhorar o meio em que estão. Essa perspectiva harmonizou-se com o significado seu nome – “Defensor da Humanidade”. Sem dúvida, a certeza de que a humanidade deve ser ajudada pela humanidade (para que a divindade se manifeste) estava presente em Alexandre. Desta feita, o ser humano passa a humano ser mediante o cultivo da humanidade.

Não há como não enxergar traços de um certo Nazareno no caráter de Alexandre. Na estrada e na estada, suas ações apontavam para o Reino proclamado por Aquele que chamou a si próprio de Filho do Homem. Sim, quem olhava para Alexandre percebia, rapidamente, que ele era amigo de Jesus. E é exatamente nEle em quem pomos os olhos, ao lembrar de Alexandre.

Eu creio que a maior lição que o Carpinteiro de Nazaré nos ensinou é que nem a morte pode matar o Amor. A escritora e conselheira espiritual Ellen G. White, no século XIX, já registrava que “para o crente a morte não é senão de somenos importância. Cristo fala dela como se fora de pouca monta. (...) Para o cristão a morte não é mais que um sono, um momento de silêncio e escuridão. A vida está escondida com Cristo em Deus, e ‘quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória’.” (O Desejado de Todas as Nações, p. 586).

É bem verdade que o silêncio de Alexandre provocador em nós. É bem verdade que a falta dele vai sobrar em cada canto – não só do Extra, mas de toda a cidade. É bem verdade que as lágrimas cairão... Mas é bem verdade também que no silêncio dele ecoa o som da esperança. É bem verdade também que a presença dele estará sempre imiscuída, apesar da ausência. É bem verdade que cada gotícula de pranto que cair servirá para aguar o jardim da esperança.

E, enquanto aguardamos o dia do retorno do Rei, no qual todos estaremos no lugar onde Tudo É, haverá sempre um pouco de Alexandre vivo dentro de nós...

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